Homenagem póstuma
Este texto foi escrito no dia 25 de setembro de 2010, data em que meu avô paterno faleceu, após uma longa jornada. E, segundo a visão dele, uma longa espera. Redigi durante o voo Brasília/Rio, no qual me encontrava, a caminho do velório que antecederia seu sepultamento. O plano era compartilha-lo na referida ocasião, porém, como diz o provérbio chinês: "Três coisas não voltam atrás: a palavra proferida, a flecha lançada e a oportunidade desperdiçada..." e eu perdi a oportunidade.
Eis o texto:
REFLEXÃO
Hoje aqui não há tristeza. Só lembranças e saudade. Há seis anos, 4 meses e 3 dias da passagem da minha avó tão saudosa, tão querida, ele se foi. Pra ele,essa espera foi longa, pois seu espírito ansiava ser recebido pelo Senhor.
Observei algumas coincidências, uma bem pessoal: pouco antes de sua morte eu perdi o sono e não conseguia mais dormir. Levantei, andei pela casa, cobri meus filhos...as outras foram:
Os dois se foram numa manhã de sábado; meu avô mais cedo. Lembram-se que ele gostava da madrugada? Cedinho, até quando pôde, ele estava de pé. Na morte não foi diferente.
A outra é que morreram no ano em que fariam aniversário, mas o mais importante e que não é coincidência:ambos morreram no Senhor.
Quero falar sobre isso: não digo que morreram no Senhor porque pertenceram a uma denominação religiosa, mas porque eram pessoas de bem, reconhecidamente Filhos da Luz, por causa de suas obras.Eles mostraram que para ser reconhecido e lembrado como um verdadeiro cristão, não basta dizer "eu sou", é preciso SER. Ter vida.
Sexta-feira assisti um filme que contava a história de um velhinho.Falava sobre aspectos da velhice. Num dado momento da história, um jovem pergunta a ele sobre qual seria a melhor coisa da velhice. Ele responde:"Você aprende a separar o joio do trigo e deixa de se preocupar e se aborrecer com bobagens, com coisas pequenas."
Isto é um ensinamento. Temos muito a aprender com os que muito viveram; eles tem muito a ensinar.
Enquanto fui criança, minha percepção sobre meu avô era vaga e superficial. Porém quando me tornei adulta, reconheci em meu avô um homem sábio.Era um homem de poucas palavras e muita observação. O pouco falar é característica dos sábios. " No muito falar não falta transgressão." Pv 10:19. Nossos maiores problemas são ocasionados por nossas palavras. Moderar os lábios é ser prudente, é ser sábio. Meu avô deixou pra mim este exemplo: quando eu falar, que seja sabiamente, se eu não ferir, nem magoar o meu próximo, se eu não causar males, já terei sido benção, terei sido sábia.
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O texto termina aqui, porém quero acrescentar que ele era espirituoso quando queria, contador de histórias e anedotas que arrancavam gargalhadas dos que estavam ao redor. A mesa da minha avó estava quase sempre cheia de gente, era tão bom! às vezes suas piadas nem eram tão engraçadas, mas ele possuia um jeito peculiar de conta-las, e isso bastava pra gente rir.
Alguém que o conheceu na juventude talvez possa dizer: " Ah, mas ele não foi sempre sábio, cometeu lá uma ou outra estupidez.." e eu respondo: não me importa. Primeiro porque ninguem adquire sabedoria se viveu em brancas nuvens, se não errou um bocado na vida. Foram suas experiências que o tornaram o homem que eu admirei. Segundo: o Sr. Tertulino que conheci foi esse que contei aqui.
Era branco dos olhos azuis! ninguém diria que era meu avô...
SOBRE MINHA AVÓ tenho muito a dizer, então vou reservar um espaço especial para isso em outra postagem.Principalmente porque muito do que sou e do que tenho hoje, eu atribuo a ela. Uma influência dela determinou fatores importantes na minha vida. Por ora o quero dizer é que ela partiu em 22 de maio de 2004, ano em que cheguei em Brasília. Dona Aparecida. Apesar de ter estado doente dias antes de sua partida e de conviver com o diabetes por muitos anos, ela se cuidava, então sua morte foi muito inesperada. já estava idosa, claro, mas pensávamos que a teríamos ainda por vários anos.Ela era forte, tinha fibra, era honesta, uma pessoa do bem.Não era de afagos, nem demonstrações físicas de afeto, mas sentíamos o seu amor. Talvez tivesse vergonha de demonstrar, mas sem dúvida ela nos amava.
Quando podia, vinha nos visitar. Era uma festa pra nós a presença dela. Trazia doces, agradava. E quando ia embora, deixava um vazio imenso no coração da gente. Deixou saudade, muita saudade. Será lembrada pra sempre com muito carinho. Tenhos muitas lembranças. Lembranças doces da minha infância, das poucas vezes em que conseguia o privilégio de passar férias escolares em sua casa. Muitos tios, muitos primos, sempre muita gente, muita alegria. Doce, feliz e saudoso tempo que não volta mais.
Encerro esta parte aqui, com profundo carinho e gratidão aos dois, por deles descender, é um orgulho pra mim.
Drica Mendes



Oi Nanaaaa....que lindo!!!! Lendo o seu texto bateu uma saudade do Tio.... Ele realmente era um homem de poucas palavras, sábio e muuuito engraçado. Adorava quando ele contava suas histórias....
ResponderExcluirA Tia então...mulher especial, de Deus. Saudades deles. Que bom que eles fizeram parte de nossas vidas. Estou amando seu blog. Um grande beijo. Te adoro!!!