Desencontro também é encontro
Quem das pessoas que compõem o teu círculo de amizades, poderia supor que chegaria a tal? até pouco tempo antes de termos que aderir à conduta do isolamento social, a maioria de nós sequer imaginava a possibilidade dos desdobramentos até aqui. Uma circunstância inédita, assustadora, preocupante, com efeito suspensivo do ir e vir, e com consequências, além das óbvias, que talvez ainda não saibamos ao certo a dimensão e alcance.
2020
recém-nascido, doente, com a saúde em risco, sem previsão de cura, a despeito da nossa
fé e esperança de que dias melhores virão. Privados da liberdade, do convívio,
da presença, do viver, aos poucos fomos percebendo com mais clareza o valor dos
privilégios que tínhamos antes de tudo acontecer.
Ouço o relato de algumas pessoas mais
próximas sobre suas experiências pertinentes a esse momento e tenho tido
tanto o que pensar...! uma das conclusões é a constatação de ao menos um fato:
cada um está tentando encontrar melhores formas de viver ou sobreviver às
condições impostas, mesmo sucumbindo às intempéries, vez ou outra, ou muitas
vezes.
Muito melhor que sobreviver é conseguir
modificar o jeito de olhar, para suplantar, ofuscar os aspectos negativos desse
ostracismo forçado e enxergar as possibilidades positivas que temos ao nosso
alcance, seja por meio da observação que ocasiona descobertas sobre si, sobre o
outro, de coisas que não se notava antes, seja o olhar mais cuidadoso
direcionado a si mesmo, a revisão hábitos ou a percepção da ausência
deles, o repensar condutas, flexibilizar os ângulos engessados, eleger novas
prioridades, criar novos meios de fazer o mesmo ou o diferente, abdicar de
algumas práticas, adotar outras, restaurar sonhos, hobbies, planos, projetos,
encontrar formas de ser útil, de ser bom com quem carece, de ser luz pra quem
está em trevas, até no simples ato de somente ser ouvinte (nem sempre é
necessário falar), repaginar-se, reinventar-se...são tantas variedades
possíveis de transformar essa travessia em algo produtivo e bom!
Nada do que eu expresse aqui passa pela
hipocrisia, testo minhas teorias, falo do que vivencio, pois considero
insensato e medíocre a abordagem de temáticas não experenciadas, é preciso
trazer à existência a prática, seja em maior ou menor escala, pra que seja
possível falar com alguma propriedade, e eu estive lá. Fiz uma lista dos variados e inesperados acontecimentos ocorridos
em meus dias entre 18/03/2020 e 28/04/2020, que me propiciaram o
encontro no desencontro... e que surpreendente!
Meus amigos mais
próximos sabem o valor que atribuo ao inesperado da vida, às coisas e fatos que
simplesmente acontecem sem que eu os tenha provocado ou interferido de alguma
maneira. Para mim, essa é a graça da vida, isso é o que a torna
interessante e em constante mudança, a forma como as personagens vão sendo
agregadas a minha história e trajetória, os fatos que conferem substancialidade
ao meu contexto de vida, as oscilações entre o favorável e o desfavorável, que
trazem o equilíbrio necessário a minha construção. Não vivo por viver, busco
conferir sentido a minha existência, por uma simples razão: eu acredito que
tenho apenas uma oportunidade de existência neste mundo, e sendo assim, não
permito que seja uma existência desperdiçada.
A probabilidade de você e eu nascermos
era tão remota, que se quaisquer dos nossos antepassados não tivessem seus
caminhos cruzados na ocasião exata do ocorrido, então nós não existiríamos, eu
e você não teríamos vivido um único dia. Assim, considerando apenas essa
premissa, é certo que não viemos a este planeta ao acaso. Nem eu, nem você, nem
ninguém.
E foi observando essa dinâmica da vida, a dos acontecimentos não programados ou controlados, que constatei que cresci muito mais em meio às épocas de tempestades que durante o mar calmo. E agora, nesse momento de crise que me condiciona de forma tão peculiar, não é diferente. Estou imensamente grata por não ter perdido a sensibilidade necessária para absorver os presentes que a vida traz em meio ao caos e à adversidade, sou grata por perceber que hoje, muito mais que antes, me envergonho ao pensar em murmurar, me queixar, e chego a me arrepender e me desculpar quando cedo a esse hábito tão nocivo e bloqueador do bem em nossa existência. Então, agradeço... e isso me propicia bem estar e paz interior, pois tudo está ou é como deve ser nesse momento, por alguma razão, conhecida ou não.
E foi observando essa dinâmica da vida, a dos acontecimentos não programados ou controlados, que constatei que cresci muito mais em meio às épocas de tempestades que durante o mar calmo. E agora, nesse momento de crise que me condiciona de forma tão peculiar, não é diferente. Estou imensamente grata por não ter perdido a sensibilidade necessária para absorver os presentes que a vida traz em meio ao caos e à adversidade, sou grata por perceber que hoje, muito mais que antes, me envergonho ao pensar em murmurar, me queixar, e chego a me arrepender e me desculpar quando cedo a esse hábito tão nocivo e bloqueador do bem em nossa existência. Então, agradeço... e isso me propicia bem estar e paz interior, pois tudo está ou é como deve ser nesse momento, por alguma razão, conhecida ou não.
Desencontro também é encontro...! e eu
desejo de verdade que você tenha sensibilidade para perceber e se permitir a
possibilidade do encontro, em meio ao desencontro que a vida nos impôs, se ainda não o fez.
Que os céus te iluminem que a paz te acolha.
Drica Mendes

Teremos que adptar um novo padrão de vivência.
ResponderExcluirParabéns pelo o Texto
Bem atualizado.
Obrigada por manifestar tua opinião! :)
ExcluirObrigada por expressar tão bem esses dias vividos. Que em meio ao caos nos encontremos!
ResponderExcluirAmém! obrigada a você por se manifestar! :)
ExcluirDesencontro também é encontro...! O texto encerro de forma fantástica. Tudo é encontro, que se desencontra em alguma coisa. Uma leitura lúcida deste tempo, poética mas realista na medida que descortinando o pensar. Excelente!
ResponderExcluirAgradeço pelas palavras e por atribuir valor ao que escrevo! :)
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