Sobre escolhas e consequências
O dia inteiro,
do momento em que despertamos ao nos deitarmos, fazemos escolhas, estando conscientes
ou não, das mais corriqueiras e simples como a roupa que vamos vestir, o
perfume que vamos usar, o calçado que vamos calçar, cor do batom, da camisa, o
que comer no café, às mais complexas, como aquelas que podem desencadear
resultados previsíveis ou imprevisíveis, com consequências tanto positivas,
quanto negativas.
A depender da
circunstância que nos coloca diante da situação de decisão, pode ser que já
saibamos ou possamos prever o resultado que não desejamos, então temos a
oportunidade de ponderar antes de decidir, é uma espécie de planejamento
responsável que antecede a escolha, com a finalidade de controlar os riscos e
reduzir a probabilidade de erro, envolve reconhecer o cenário, ponderar os
comprometimentos, considerar as pessoas envolvidas, se houver, e outras
peculiaridades, de acordo com o contexto da situação.
Ao refletir
sobre isso, considerando as decisões que podem ser consideravelmente comprometedoras,
é óbvia a conclusão de que escolher é um risco ao qual nos submetemos, pois os desdobramentos
nem sempre são controláveis, e quando não favoráveis, teremos que lidar com
eles, tal qual prediz o velho ditado, de que somos senhores das escolhas, porém
escravos das consequências. Bom seria se pudéssemos intervir de forma que todos
os resultados fossem convenientes.
Não poucas
vezes, quando os desdobramentos são negativos e batem a nossa porta,
normalmente a primeira reação é o lamento, e não raras vezes, a segunda, é o
arrependimento. O curioso, e até hilário, é que, embora a raiz da questão
tenha se originado de uma escolha pessoal, normalmente o discurso de quem
verbaliza a queixa é compatível ao de quem não parece atribuir os efeitos da questão
a si mesmo, pois de fato é difícil mesmo, de imediato, assumir a parcela que
nos cabe dos resultados das escolhas malfadadas. Pior ainda, se tivermos tido
antes do ato em si, um lampejo da intuição, ou um conselho de um amigo ou
alguém mais experiente, que não foram considerados. Nesses momentos que
envolvem o desfecho da situação é que costumamos ouvir a tão conhecida, e por
vezes, inconveniente expressão: “Eu te
falei”, “eu te avisei...”.
Nesse
contexto, quando possuímos um pouco de maturidade, a próxima etapa, senão a
primeira, é reconhecer a própria responsabilidade e tratar de decidir o que
fazer com as conclusões da experiência. Eis a grande e positiva oportunidade da
circunstância adversa: avaliar o saldo e decidir entre avançar, evoluir, ou
repetir o ciclo. Fato é que nenhum de
nós está acima do erro, da falha, e isso nos iguala. O que nos diferencia é o
que fazemos com o resultado das experiências vividas, oriundas de nossas
escolhas mais relevantes.
Vez ou
outra, leio ou escuto a seguinte frase:
“Não me arrependo de nada do que fiz, só do que não fiz...”, imediatamente visualizo
o monólogo dentro da minha cabeça com a frase: ”como assim”, cheia de interrogações (????)! Ora, se
fazemos escolhas dentro dos mais variados contextos do nosso dia, sem garantia
de acertos, significa que em algum momento nos deparamos com alguma
consequência não bem vinda, deste modo, penso que só não se arrepende quem não
consegue conceber sua falha, não admite sua vulnerabilidade ao erro, que é uma
questão relacionada ao ego.
O tempo todo estamos
sujeitos a cometer erros e ter lidar com algum arrependimento, nos arrependemos
até da roupa escolhida pra usar num dia qualquer de calor, de ter ido às
compras e ter deixado pra trás o pacote de pó de café porque achou que tinha um
fechado na dispensa, da resposta apropriada que não foi verbalizada, de ter dito
o que não devia... Uma gama de possibilidades vindas de eventos nos quais nos
envolvemos, relacionados às escolhas mais variadas que fazemos! Não se
sustenta esse discurso de não arrependimento pelo simples fato de que tomamos
decisões a todo o momento, nem sempre fazemos a escolha certa e só de
percebermos que foi a escolha errada, já nos encontramos arrependidos, ainda
que não queiramos admitir. Tomar decisões, fazer escolhas e errar, são parte do
processo que envolve a existência, assim como se arrepender, não se arrepender,
rever, desconstruir, reconstruir, estagnar, evoluir...
Entretanto, de
todos os processos citados, não admitir a falibilidade, é uma das condições
mais tristes e estagnadoras, pois revela um ser que desperdiça a própria
existência, perdendo a oportunidade de evoluir e crescer, ao julgar-se acima do
erro, presumindo-se sempre certo, e, portanto, sem nada a aprimorar.
Que sejamos sensatos
em nossas atitudes, pra agir de forma consciente e responsável na ocasião de
nossas escolhas mais relevantes, principalmente as que envolvem a nossa
existência e a do próximo conjuntamente. Contudo, se o resultado for negativo,
que assumamos o que nos cabe e sejamos maduros o suficiente para avaliarmos e
fazermos melhores escolhas da próxima vez.

Excelente! Leitura lúcida! Essa é minha parte .... ""planejamento responsável que antecede a escolha, com a finalidade de controlar os riscos e reduzir a probabilidade de erro, envolve reconhecer o cenário, ponderar os comprometimentos, considerar as pessoas envolvidas, se houver, e outras peculiaridades, de acordo com o contexto da situação"". NO mais vamos os compreendendo na medida que evoluímos.
ResponderExcluirSempre algo pertinente a acrescentar, com os conhecimentos da psicanálise e outras vivências :) grata pelas considerações e por prestigiar os meus escritos! :)
ExcluirEstamos aprendendo.
ExcluirAssim evoluímos, pensando bem antes de tomarmos nossas decisões.
ResponderExcluirExcelente texto!
Exatamente, planejamento! obrigada pela consideração! :)
ExcluirQue texto excelente!!! Parabéns!
ResponderExcluirObrigada por prestigiar com seu tempo e leitura! :)
ExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirAs decisões sempre terão de se tomadas. quando acertamos e excelente, mais também corremos certos riscos que as vezes vale a pena ou as vezes não teriamos a necessidade de correr o tal. Mas quando erramos temos que ter a humildade de assumir, a coragem de enfrentar as consequências e a sabedoria de Corrigir o erro e fazer o certo da próxima vez. Nos aprendemos muito mais com nosso erros.
ResponderExcluirUma excelente reflexão. Nos faz pensar melhor antes de tomar nossas decisões.
Sim, na vida, sempre aprendi muito mais com os erros que com os acertos! errar não é agradável, mas é relevante, rss. Obrigada por comentar! :)
ExcluirOlá Luiz, seja bem vindo! :) Também sou carioca! vou agora mesmo conferir teu blog, um abraço!
ResponderExcluirBoa tarde Drica obrigado pela sua visita no meu Blog. Parabéns pelo seu texto. Aproveito a oportunidade de ter o privilégio de lhe pedir que você possa me seguir no meu Blog. Um dia quero tirar fotos de Brasília para o blog. Desejo muita saúde para você e sua família.
ResponderExcluirEsse é meu preferido!
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